Crônica

O talento da menina

Era doida por futebol. Treinava escondida com a bola de borracha do irmão, seu cúmplice e parceiro de dribles e embaixadas, mas que fazia chantagem quando queria alguma coisa dela. – Se você não fizer a lição pra mim, conto pra a mãe que você treina escondida. E ela fazia a lição e muito mais que ele pedisse, porque era doida por futebol. Queria jogar num time, e um dia

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SONHOS

Josefa (Zefinha para os da família) foi a caçula dos seis irmãos, todos homens. Nasceu em plena caatinga cearense, no dia do padroeiro São José, 19/03, e em sua homenagem o pai lhe deu o nome. Enquanto a mãe se contorcia nas dores do parto, amparada por Mainha Dita, o pai olhava o céu, esperançoso pela chuva, rezando pelo milagre do santo, na virada do século. A vinda da ´´fia

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Quem perdeu foi o marqueteiro.

Elas estiveram por aí, há décadas. Começaram jogando escondidas, porque era-lhes proibido o toque de bola, o drible e os chutes a gol. Aos poucos, umas desistindo, outras insistindo, foram virando times, até mesmo uma seleção nacional. Você notou? Pois o marqueteiro, não. Distraído, estava voando alto nas asas da seleção masculina e ganhando os likes gerais com os craques barbudinhos. Aí a menina Marta (ué, menino Neymar não podia?)

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Bravura e coragem

A melhor maneira de crescer é se engajar na busca (Marcelo Gleiser) Dois momentos me oferecem inspiração para escrever este texto. No primeiro, eu estava nas nuvens literalmente. Uma foto da jogadora Formiga, pelas lentes de Tomás Arthuzzi, impunha tamanha beleza à capa da revista Gol Nº 207 que se tornou impossível não ceder à tentação de devorá-la sem sequer sentir os efeitos da decolagem. O segundo é o da

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Quem foi que caiu?

Dizia o imortal ator, escritor e humorista Chico Anysio, que um tio seu, há tempos em coma enrolando a morte, um belo dia abriu os olhos, levantou-se do leito, encostou na parede e comunicou à família rezadeira em volta, imbuído de sua macheza de Maranguape dos anos 30: “Homem que é homem morre de pé”. E deslizou ao chão para o seu fim. Ontem, alguns narradores diante da derrota heroica

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O renascimento vem da morte

Eu, Matogrosso e o Joca vimos o jogo do Brasil aqui na minha casa pertinho do campo da Ponte Preta. Era para ser comemoração, mas terminou em baixo astral geral. Então eu argumentei que deveríamos tomar cerveja e afogar as mágoas no Bar Majestoso, em frente ao estádio, e homenagear as meninas. Bugrino, o Joca fez muxoxo, mas o Matogrosso, pontepretano que nem eu, pegou pesado e até fez rima:

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Obrigada, meninas! Vocês são feras!

Era um jogo tão aberto, de possibilidades equilibradas pros dois lados, que não tinha ideia do que escrever nesta crônica até o apito final da árbitra (como eu amo pronunciar estas palavras: árbitra, artilheira, treinadora!). Normalmente eu já tenho tudo na cabeça quando me sento pra produzir o comentário da partida. Mas hoje não podia ser assim, porque jogávamos bem, de igual pra igual, superando deficiências e impondo respeito às,

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Surnaturel du Carlos

O jogo é só amanhã, mas já vou cravar: Vamos nos estrepar contra a França. Eu garanto. Veja bem, não se trata de uma crítica. Longe disso. Não é uma questão de esculhambar a falta de suporte ao futebol feminino brasileiro, enquanto as francesas tem campeonato organizado e tudo o mais. Vamos tomar uma ripa da França pelo simples fato de uma tremenda urucubaca, isso sim. Vocês vão dizer que

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Copa do Mundo de Futebol Feminino. E eu?

O fato é que eu fiquei comendo grama na primeira fase, confesso. Não a grama do campo, verdinha, bem tratada, feita para acariciar chuteiras. Comi grama de pasto mesmo, tipo capim amarelado remoído com terra. É que para pastar, qualquer grama serve, Fernanda, ou você vai lá e compra uma melhor, mais completa, e que tenha no cardápio todos os jogos da Copa do Mundo de Futebol Feminino, e pronto,

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Entre a bola e o pé

Chegamos ao fim da primeira fase com a seleção brasileira classificada. Uma estreia brilhante. Um deslize contra a poderosa Austrália. Uma batalha de nervos com a Itália. Não falo de salto alto. Ponho a chuteira, embora faça uso das mãos, para escrever essas linhas enquanto muitas arrumam suas malas e a ansiedade me consome alguns minutos antes da definição da adversária nas oitavas de final. Em qualquer um dos casos

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