VOCÊ PEGA OS TUBARÕES AZUIS

Com licença de Lô Borges, você não vai pegar o trem azul, mas os Tubarões Azuis, como o pessoal de Cabo Verde batiza sua aguerrida seleção. Com o sol na cabeça, no estádio chamado Mercedes Benz, em Atlanta, esses tubarões pararam o touro espanhol, com todos aqueles craques, incluindo a vassoura atômica, que é o descabelado Cucurella.
Creio que nunca vi na minha vida um zero a zero tão empolgante como esse jogo. Todo mundo cravava no bolão a goleada espanhola, no mínimo de 4×0. Mas Cabo Verde tinha o goleiro cujo nome é Josimar Dias, em homenagem ao botafoguense impetuoso da Copa de 1986. Mas o apelido é que segurou a barra: o cara tem o apelido de Vozinha, dizem que é porque foi criado pelos avós. E essa Vozinha não deixou o Cucurella Vermelho balançar as redes.
Lembrei-me de uma peça que assisti na minha terra, no Sul de Minas, quando era menino: Espanha em sangue, de autoria de Soares d’Azevedo, um jornalista brasileiro, católico fervoroso, que cobriu a Guerra Civil Espanhola e escreveu sobre “os horrores” dos oponentes de Franco. Era uma peça carola, anticomunista, em que no final, os lenços vermelhos eram arrancados e vilipendiados. Mais tarde é que fui conhecer Bodas de Sangue, peça de verdade, de Garcia Lorca, assassinado pelos franquistas.
O que isso tem a ver com o zero a zero de hoje? É que vi a Espanha sem sangue, só com toques, firulas, muita paciência, pois o sangue estava do outro lado, com Cabo Verde.
Verde que te quero Cabo Verde. Mas você precisava ver os Tubarões Azuis…

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