Escapamos!

Assisti ao documentário “Biografia de Pelé”, feito pelos ingleses da BBC. Há depoimentos de ex-companheiros de time, como Tostão, Rivellino, Carlos Alberto, Pepe, Lima; de ex-craques ingleses, entre eles, Bobby Charlton e Bobby Moore; e, ainda, de jornalistas daqui e de lá.

A certa altura, um jornalista inglês defendeu que o regime militar, do governo Médici, pressionou Pelé para jogar a Copa de 70. Depois da de 66, ele disse que não jogaria! Ele tinha 30 anos. Segundo o inglês, o regime esperava que o futebol desse “alegria” aos brasileiros, encobrindo as mazelas da ditadura. E Pelé seria usado para isso. As motivações políticas quase sempre são espúrias. Mas penso que nenhuma diversão tem o poder de silenciar um povo que quer um país melhor. Não somos estúpidos! Como diz a música, a gente não abre mão de comida, de dinheiro, de felicidade. Mas quer mais! A gente também quer “diversão e arte”. Eu vou ao cinema, mas não me esqueço de que há corrupção. Eu me divirto porque minha vocação é viver, que vai muito além de trabalhar.

Hoje os militares não estão mais no poder. O país continua corrupto. A gente continua querendo mais de que dinheiro. Não há ninguém como Pelé. Nossa seleção não tem jogadores como Carlos Alberto, Rivellino, Tostão, Gérson e Jairzinho. Jogam Fagner, Philippe Coutinho, Gabriel Jesus, Paulinho, Douglas Costa. Os jogadores são bons. Mas com o placar adverso, erram passes, chutam para fora, chutam no goleiro, escondem-se.

O Brasil campeão de 70 foi recebido por Médici, que deu abraços acalorados no sorridente Pelé. Já imaginou o Neymar abraçando o Drácula? De fundo musical, Anitta, Thiaguinho e Fábio Brazza entoando o clipe do Itaú? Indigesto.

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