Quem perdeu foi o marqueteiro.

Elas estiveram por aí, há décadas. Começaram jogando escondidas, porque era-lhes proibido o toque de bola, o drible e os chutes a gol. Aos poucos, umas desistindo, outras insistindo, foram virando times, até mesmo uma seleção nacional. Você notou? Pois o marqueteiro, não. Distraído, estava voando alto nas asas da seleção masculina e ganhando os likes gerais com os craques barbudinhos. Aí a menina Marta (ué, menino Neymar não podia?) foi a melhor do mundo três vezes. Ele viu? Nada. Continuou apostando as fichas nos calcanhares dos rapazes e deixando as meninas jogarem aquele futebolzinho delas, que deve ser onda passageira, não vai pegar.
Pois então, meus caros, não venham agora, tardiamente, dizer que nunca criticaram, que sempre estiveram de olho, que apostaram nelas.
Não foram elas, em campo, lá na França, que falharam. Fomos nós. O marqueteiro distraído somos todos nós. A Marta precisou ser três vezes a melhor do mundo para que a gente descobrisse que ela fica bem de batom roxo. A Formiga precisou avisar que está se aposentando para que a gente notasse como ela corre o campo como uma guria de 18 anos. As meninas estão batendo um bolão há anos e só as câmeras das emissoras de tevê brazucas e o marqueteiro dorminhoco não registraram.
Mais um empurrãozinho e elas traziam o caneco. Empurrãozinho que, agora, descobertas, elas talvez até venham a ter na próxima Copa do Mundo de Futebol Feminino.
Se o marqueteiro acordar.

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