Bye bye, Brasil! Glória da Bélgica? Não, da França.

Juro que fiquei relutante em escrever sobre o jogo Brasil e Bélgica. Não sei, mas talvez o medo de que o gosto amargo da derrota impusesse ao texto um tom que não fizesse parte das minhas intenções. Esperei alguns dias e eis que vejo o nosso algoz chorar em campo como choramos na última sexta. É o esporte. É a vida.

Na sexta-feira, eu estava em um compromisso quando o jogo começou. Só me liberei às 12h local, 16h no Brasil. Sentei-me no primeiro Café que oferecia uma transmissão e muitas camisas amarelas e bandeiras brasileiras. Para minha surpresa, o placar mostrava 2 a 0 para a Bélgica. Por azar, escolhi um lugar ao lado de um belga disposto a alfinetar minha condição de perdedora. A muito custo, mantive o controle.

O café inteiro se levantava a cada vez que uma chance de gol se repetia. E nada. Um paredão de quase dois metros impedia todas as possibilidades de entrada da bola. Parecia que algo muito errado estava prestes a acontecer. E aconteceu. Não sem, antes, nos oferecer o direito a uma bonita jogada. Aos trinta minutos do segundo tempo, Philippe Coutinho fez um levantamento para a área e Renato Augusto cabeceou certeiramente em um cantinho não alcançado pelas imensas mãos de Courtois. Nunca gritei gol com tanta vontade. O café veio a baixo com a esperança renovada em cada verde-amarelo que se postava diante da TV.

Porém lá estava também o tempo, cruel como só ele sabe ser. O gol que nos salvaria não se materializou, apesar da quantidade de chutes em direção à trave adversária. Fomos vencidos pela velocidade e eficiência das jogadas rápidas. Ao ouvir o apito final, o que restava em cada rosto era um olhar atônito buscando compreensão.

No entanto, em meio a um público tão diverso, foi bonito de ver o reconhecimento e o respeito à vitória do outro. Sim, no campo eles saiam eufóricos. Na Cafeteria, o belga que estava ao meu lado não escondia sua felicidade de se mostrar melhor que o Brasil também no futebol. A mim, cabia apenas a resignação e a fé absurda que me acompanha e me fazia repetir: amanhã será um novo dia!

Bom, hoje é terça. Quatro dias depois, é a vez dos jogadores da Bélgica chorarem em campo. Assisti ao fim do jogo em casa, sem torcedores franceses ou belgas ao meu lado. Mas com a forte presença do sentimento de vitória e derrota alinhavando o meu estar no mundo neste exato momento. Se o esporte nos ensina, sua lição mais bonita está na derrota. É lá que as falhas são clarificadas e que a necessidade de ajustes é pontificada. Eis a chance de rever condutas. Eis a chance de aprender a respeitar o outro e confirmar o que dizia a minha avó: nada como um dia atrás do outro e uma noite no meio.

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