Até quando?

Mau gosto? Falta de inspiração? Ou simplesmente misoginia? Para anunciar a Copa do Mundo de futebol feminino, que acontece na França, a revista satírica francesa Charlie Hebdo lançou mais uma polêmica nesta semana.

Desta vez, para falar dessa Copa, ela trouxe na capa o desenho de uma vagina com uma bola de futebol no meio e os dizeres: “Nós vamos comê-la por um mês”. O que é isso, companheiro? Isso é constrangedor! Qualquer piada só é engraçada quando todo mundo ri. Caso contrário, não é piada.

Sou a favor da liberdade de expressão para os meios de comunicação, mas desta vez essa revista extrapolou. A abordagem além de misógina, reforça a cultura do estupro e, obviamente, vem provocando polêmica nas redes, com a triste constatação que há gente defendendo a Charlie Hebdo. É a repetição irritante de clichês centenários que insistem em não respeitar as mulheres – incluindo as esportistas –, com a sexualização de sempre.

Para mim, não adianta virem com argumentos de que esse é o estilo da publicação, ameaçada desde 2006 por divulgar charges de líderes islâmicos. Infelizmente a Charlie Hebdo ficou ainda mais famosa, em 2015, quando a sua redação sofreu um ataque de extremistas inconformados com uma charge de Maomé, resultando em 12 mortos e cinco feridos.

Felizmente os veículos de comunicação no mundo todo vêm tratando o futebol feminino com o respeito que merece, embora siga dando a ele espaços bem mais restritos que ao masculino.

E o Brasil, mesmo sendo o tal “país do futebol”, segue conferindo menor protagonismo às nossas garotas, se comparado ao tratamento que dão ao futebol masculino na mídia e nas conversas em geral. Fico triste em ver quão poucos de nós estão acompanhando os jogos. Cadê os fogos a cada gol? Cadê grupos combinando de se encontrar para assistir às partidas? Cadê gente de verde e amarelo nas ruas? Será que essa combinação agora é só coisa dos bolsomínions?

Com tantas baixas das nossas melhores jogadoras, acabamos de perder para a Austrália. Mas ainda estamos no páreo. Quem sabe aos poucos o brasileiro se anime a torcer e a mandar uma corrente de boas energias para as nossas garotas que já tanto lutaram e seguem brilhando. Eu aqui estou na torcida, com pipoca e tudo. E antenada contra todo tipo de preconceito.

PS: E falando na cobertura da mídia, muito boa a participação de Anna Thaís Matos como comentarista na TV Globo. Ainda que abrissem poucas vezes o microfone para ela, seus comentários foram muito mais assertivos do que os de Cléber Machado e Caco Ribeiro. Ela está sabendo muito bem aproveitar essa oportunidade.

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