Uma abertura quase inesperada

Rússia e Arábia Saudita jogando a abertura de uma Copa do Mundo não é o melhor prenúncio para a competição. Inevitável usar o clichê (e agora trocadilho oficial desta edição) que a coisa tá russa.
Quem gosta do bom futebol deve lembrar com saudades da época em que cabia ao campeão da Copa anterior a honra disputar a partida de estreia. Como jogariam os donos da taça, iriam defender o título?
Sobre os anfitriões não há expectativa, ainda mais em países periféricos ao bom futebol, como Rússia, África do Sul, Catar e…Brasil. (Ok, prometo tentar ser mais complacente com a atual canarinha, mas ainda não deu para esquecer os 10 gols tomados nos últimos dois jogos de Copa!)
O jogo de abertura transcorreu como esperado: posse de bola de um lado, força física do outro. Habilidade e técnica em algum lugar misterioso que as câmeras não conseguiram encontrar.
Era uma disputa de gigantes contra miúdos, os sauditas lembrando o porte físico de brasileiros de outrora, franzinos e queimados do sol. Só faltou a categoria de um Zizinho para nos remeter aos tempos do nosso complexo de vira-latas. Os russos, grandalhões saídos de seus laboratórios árticos, por ironia, contavam com o único brasileiro em campo, Mario. Que Mario? Não sei, e ele também não fez questão de se apresentar.

A partida era parelha, os pequenos tocando bola de um lado para o outro sem fome, os brutamontes em disparada feito cavalos loucos, sem paciência. Cadê a Copa do Mundo, por Deus? Calma, meu amigo, ainda vai chegar. A cada 4 anos temos que suportar jogos como Irã x Marrocos. É o purgatório necessário a quem almeja o deleite divino de um Argentina x Inglaterra.

Assim como o futebol é a festa de lugares-comuns, é também uma caixinha de surpresas. Podia-se esperar uma vitória dos donos da casa com 2 gols de cabeça, lá no alto não havia nem sinais dos árabes. Mas estou para ver alguém que previsse mais três belos gols, e um saldo de 5. Talvez apenas o sujeito que apostou na mordida do Suarez em 2014 pudesse ter tal dom de clarividência.

Por fim, esta partida que anunciava uma Copa fria e mais desinteressante que as anteriores, nos presenteou com um alento. Sem bom futebol, mas repleta de gols.

Que venham Uruguai, Espanha e Portugal amanhã!

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