O fim da Copa e do colo

Por dezesseis anos ele cedeu-lhe quase sempre o colo, recusou-o algumas vezes, e agora não mais, agora o colo está vazio. E assim ficará porque ela, como a Copa, chegou ao fim. Pode-se dizer que não morreu, que apenas parou de viver. Vini era o nome dela, uma gata amarela, teimosa e sábia. Adorava Copas do Mundo. É quando ele mais tempo fica sentado na frente da TV, o colo à disposição. Vini tinha preferência pela fase de grupos quando ele assiste aos jogos perto de seis horas por dia, ou seis horas diárias de colo. Quando terminaram as quartas de final e os jogos rarearam, ela foi ficando quieta, emagrecendo, e, enfim, a três dias da final, deitou-se, parou de se mexer e, depois, de respirar.
Vini era absolutamente indiferente aos placares. Messi ou Neymar em nada lhe importavam. Ela era sábia. O colo é quentinho e ela só se interessava por ele. Vini era muito sábia. Ela apenas vivia e não há sabedoria maior que essa. Dá para dizer que morreu de tanto viver.
Não se pode culpar o fim da Copa por sua morte. Ela tinha muita idade para uma gata. Mas pode-se dizer que a Copa estendeu-lhe a vida por alguns dias, uma vez que ela ganhou dose extra de colo. Além da comida e da água, o maior alimento de Vini era o colo.
Domingo termina a Copa. Ele assistirá ao jogo sem Vini no colo. Descobrirá que colo não é uma região do corpo, mas uma troca de calores e amores.

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