Para não tomar de sete, chute pra frente!

Agora não adianta bater pé, coçar a barba, nem chorar. Se a defesa estava sem linha, era não deixar a bola correr por ali, perigo iminente, e dar de bico. Chutão mesmo. Pro outro lado, a bola rifada dali para o ataque (no mínimo um lateral cedido no caso de uma espinhada, que sufoco; no máximo um escanteio permitido pelo desespero aguçado). Depois, do meio de campo para área. Em seguida, o gol. A meta de ataque, não a da defesa, que desespero. Um, dois, três.

Danem-se os grandes sistemas, até os pequenos, quando o gramado se faz de muitos que querem, mas não vão, a rede fura de um lado só. Quatro vezes. Talvez a estratégia, para uma cata de pernetas – salvo as exceções – que joga contra uma equipe treinada, e ensaiada, fosse a surpresa. Mas uma surpresa consciente da desorganização tática: instigar, com o próprio não saber, uma quebra de padrões técnicos-táticos de quem sabe. Aí, sim, talvez desse para bagunçar o planejado e ganhar espaço para uma bola de bate-pronto, mais na sorte que no talento. Nem gol de placa, nem gol olímpico, um gol ali, no meio e por acaso, e só para não levar o quinto.

O legal do futebol é que ele é cheio de bobeadas. É por isso que a zebra ganha. O que não dá é querer mais de um time de menos. Não dá para um time em que falta habilidade, mesmo que apenas nessa partida, que não tem posicionamento, mesmo que seja por um instante, 90 minutos vale um título, querer fazer bonito, abrir o jogo, usar o meio, armar jogadas, enfiar uma bola com estilo. Tem que ser como manda o be-a-bá. E pra ficar bem na fita, num caso desses, o esquema é jogar como domingueiro, no melhor estilo do rachão: tira a bola daí, seu perna-de-pau! Pro time não rachar. E olha, racha mesmo.

O goleiro briga com a defesa, a defesa briga com o ataque e é nesse pega-pega que o placar sai do zero e a goleada começa a se configurar. Mas quem é que gosta de perder? O zagueiro que não. Mete-se a artilheiro, acredita que vai driblar nove e enfiar a bola no gol. Também o lateral resolve subir pro meio de campo e, se bobear, ele mesmo marca, salvando todos da bancarrota. Hein? Ninguém entende ninguém. Seis.

Alguém dê a notícia que no coletivo ninguém resolve tudo sozinho, alô-ooo! A não ser um lance de sorte. É por isso que o técnico grita tanto, berra tanto. O fato é que toda derrota vexatória gera uma ruptura. E uma busca pelo culpado. Em times fracos, aparecerão alguns. Não nesse ano. Não em 2018. Nessa peleja de agora, para não tomarmos de sete, oi?, vamos chutar a bola pra frente, vamos?

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