A cambalhota de Milad Mohammadi

Eu poderia vir aqui, explicar através da física, da biomecânica, do torque, o que foi aquele lance, mas não, aquele lance foi só o desespero do último minuto, ali, nos acréscimos dado pelo juiz já no finalzinho do segundo tempo, só isso e ponto, não tem física que se mostre suficiente para explicar aquela bola não lançada, aquela bola que ameaçou mais não foi, a bola ali, pedindo uma única chance, as mãos presas, amarradas, o apito do juiz, que é isso, mano, tá maluco?, solte a bola, porra!, e no repeteco que imaginamos, que pedimos, que não aconteceu, aquele lateral cobrado com a força ínfima de uma bola franzina, sem torque, sem física, sem biomecânica, aquele evidente desperdício do último lance no último minuto já incluindo os acréscimos do segundo tempo, puta que pariu, Milad Mohammadi, isso aqui é Copa do Mundo, tem que ir até o fim, por que você não terminou a cambalhota?, essa bola com mais força, com torque, com biomecânica e indo curva e alta para o meio da área, a cabeçada certeira, o gol de empate, cadê?, Mohammadi, a confiança, a certeza, a destreza, aquele lance espetacular?, virou piada, virou meme, poderia ter sido mas não foi, o peso da bola no corpo, o peso da Copa na bola.

[Irã 0 x 1 Espanha, Copa do Mundo da Rússia, 2018 – crônica esportiva]

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