Detetive

Após uma partida vergonhosa, a Alemanha, nossa melhor inimiga, se despede como a chacota oficial da Copa do Mundo 2018. A maldição se comprova. Mas qual delas? Temos quatros candidatas:
1) A queda dos gigantes: Após a histeria da eliminação (seja em choro, risos, ou mero espanto), constatou-se algo inusitado. Desde 2002, toda campeã cai em desgraça na primeira fase da Copa seguinte. França, dona da casa e da taça em 1998, abriu os trabalhos da maldição ao encerrar expediente pro Senegal em Seul, na Coreia do Sul, quatro anos depois. Itália, que devorou 2006, terminou de forma indigesta na África do Sul. Espanha perdeu o passo (ou passes) feio em 2014. Agora, Alemanha vê seu império ruir diante da… Coreia do Sul! O ciclo coreano se fecha…? A única exceção foi o Brasil, mas abordarei este ponto a seguir…
2) Macumba de casa é a melhor: o triunfo alemão sob a seleção canarinho não foi apenas uma tristeza. Foi catastrófico em diversos sentidos. Pode-se ao trauma do Maracanazo, na primeira Copa em solo brasileiro. O programa Falha de Cobertura explanou o sentimento ao relembrar a promessa de Felipão de que “que apagaria de vez o vexame da Copa de 1950, substituindo por um vexame ainda maior.” Entretanto, prefiro elaborar quanto aos méritos (sic) da partida em si. 7 a 1… a pergunte persiste: como isso é possível? Que o time rival era superior aos hóspedes é um fato… Mas uma coisa é vencer. A outra é urinar em um bêbado desmaiado na rua. Quase achei que Alemanha estava com vergonha de seguir marcando, mas a impassibilidade de Júlio Cesar e a desorientação geral não deram escolha. O que eles fariam, sentariam no gramado após o quarto ou quinto gol e ficariam tirando selfies? Talvez fosse menos humilhante… A passagem do tempo cura muitas feridas, mas… 7 a 1?! Com a vitória do Brasil sob a Sérvia logo após o nocaute da Alemanha para Coreia do Sul, o churrasco brasileiro foi duplamente “servido”. (piada infame, eu sei…) Se santo de casa não faz milagre, mau olhado com certeza é eficaz. O que nos leva à terceira possibilidade…
3) Déjà vu: Campanhas perdedoras da Alemanha na Rússia não são novidade. Como Tom e Jerry, sendo que os alemães cumprem o papel do gato. Na Primeira Guerra Mundial, o combalido exército do Kaiser Wilhem II, após levar uma surra do front ocidental, também teme uma invasão socialista e cede seus territórios. Em parte, a campanha alemã contra os militares do Czar foi uma das sementes da Revolução de Fevereiro. As monarquias em ambos os países terminam e o territórios perdidos seriam incorporados pelos russos lá pela… Segunda Guerra Mundial, quando a força militar era a potência germânica da vez. Hitler decide atacar a então União Soviética. Após dois anos, os nazistas são expulsos de todo o território pelo Exército Vermelho. Os combates ocorreram na mesma estação, fato rememorado de forma sarcástica pelo atual mandatário da Rússia, Vladimir Putin: “Será bom receber a Alemanha no inverno.” História à parte, voltemos a 2018…
4) Déjà vu, parte 2: Se a novela das nove declamava que tudo que fazemos tem retorno, pode-se aplicar ao caso alemão. Como a seleção brasileira em 2014, o futebol apresentado pela Alemanha ficou irreconhecível no intervalo entre as Copas. Como o Brasil de outrora, o time reconhecido por sua eficácia demonstrou despreparado emocional, incapacidade de concluir passes além de tiroteio cego aos minutos finais. Sem sequer o gostinho de um gol que tivemos quando tudo estava perdido. Além disso, Neuer teve seu dia de Júlio Cesar, quando perdeu um gol de forma inacreditável. Enquanto o defensor brasileiro não parecia estar presente ao jogo, o goleiro alemão deu um passo além e, literalmente, não estava presente na área quando a Coreia botou o prego extra no caixão. Os cabeceios de Hummels, que mantiveram sua convicção de passar acima da rede rival a cada lance, simbolizaram a partida. Resta saber se o técnico Joachim Low, como Felipão, terá sua Dona Lúcia, provavelmente Frau Helga, parabenizando por sua determinação diante do óbvio. Caso contrário, Low tem o consolo de que permanece no cargo até 2022. Por enquanto…

Logo, qual dessas possibilidades é a culpada pelo desastre alemão na Copa do Mundo de 2018. Como no jogo “Detetive”, há motivação e suspeitos plausíveis. Entretanto, num esporte que provoca tamanha comoção, melhor ficar com uma quinta via. Um clichê sempre aplicável: O futebol é, afinal, uma caixinha de surpresas.

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