Se correr o bicho pega…

Se ficar o bicho come… Assim, realisticamente, temos que entender esse jogo contra a Austrália. Porque o torcedor de última hora pode achar que o Brasil é favorito, o melhor do mundo, país do futebol ou outro chavão do gênero, mas isso já não se dá mais no masculino, pentacampeão mundial, muito menos no feminino, em que nunca vencemos – nem Copa do Mundo nem Jogos Olímpicos.
Sim, somos grandes, temos Marta, Cristiane, Formiga, nossas craques, nossas heroínas, mas vivemos uma transição entre essa geração pioneira e as jovens que chegam pra carregar a tocha futuro adiante. E nossa fase não é das melhores, como a preparação para esse Mundial já havia desnudado.
A estreia sem Marta e com Cris iluminada contra a fraca Jamaica deixou a impressão de que poderíamos superar tudo com a força da camisa. Mas essa força às vezes é mais peso, e poucas são as que não sentem quando o adversário cresce em nossa direção. Se correr, se ficar…
A Austrália é nosso bicho-papão, rival que nos bate e que batemos alternadamente. Entrou em campo com tudo pra tirar a desvantagem da estreia, quando perdeu pras italianas. Nós, conscientes da inferioridade, e de olho no regulamento, jogamos pra empatar. Nem as meninas esperavam a vantagem de 2×0 aberta inicialmente, e que as australianas empataram entre o finzinho do primeiro e o comecinho do segundo. Resultado: não soubemos neutralizar as grandes qualidades delas, não tivemos pernas nem futebol pra segurar o placar, não tivemos nossas craques até o fim da partida. Levamos a virada num resultado justo para o futebol jogado pelas duas seleções.
Nota inesquecível: Marta se preparando pra bater o pênalti. O coração disparado. A respiração acelerada. Todos os músculos tensionados, embora só vejamos o rosto, os olhos. Mas do controle emocional e mental sai a ordem para que a perna cumpra o dever e faça o que sabe. E ela converte o gol com perfeição. Essa mulher me emociona sempre!

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