Futebol derrota pé frio

Ávida de ideias, a cronista respira aliviada quando Vida marca e parece encaminhar a classificação da Croácia. Mas não há trocadilho que segure a garra e a energia dos donos da casa antes do apito final, e o fato de ser Mário – que Mário? o brasileiro! – a converter o tento salvador facilita ainda mais a vida da cronista até então sem inspiração.

Porque antes de tudo veio a ressaca. Parecia que a Copa tinha terminado. Uma preguiça dessa última rodada das quartas, um medo de novos jogos ruins, e nada disso aconteceu. Nem tanto Inglaterra e Suécia, mas principalmente russos e croatas fizeram uma partidaça, com duas horas de emoções, resultado sempre aberto e imprevisível do início ao fim.

Já me culpei demais, a vida toda, pela derrota dos que elejo pelo coração. Carma? Pé frio? Identificação com os fracos e oprimidos? Só os deuses do esporte sabem a resposta. De manhã havia amarelinhos contra vermelhinhos, pensei que era um dejà vu, torci pelos que voltaram pra casa.

De tarde, fiz a mesma escolha declarada por Jô Soares outro dia num programa da Fox: “Eu torço por aquele narigudinho”. Tinha tudo pra dar errado, por mais que o futebol da Croácia fosse superior ao da Rússia. Mas dessa vez, sei lá por que cargas d’água, nem o gol salvador do brasileiro no último minuto nem meu histórico pé frio conseguiram impedir que vencesse o melhor.

Não o melhor em campo, que isso os dois times foram. O melhor pro futebol, creio eu.

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