Era só começo o nosso fim

Pego emprestado de uma linda canção do mineiro Yuri Popoff o título desta crônica para lembrar que nada terminou hoje com o bicampeonato da França. Ao contrário, começa agora a contagem regressiva para Catar 2022, um desafio que já faz arrepiar a espinha de quem ama essa deliciosa arte chamada futebol.

Vitória merecida de uma França multirracial e multiétnica, de um mundo globalizado em que não deveria haver mais espaço para xenofobia, racismo e demais crimes do tipo. Ganhou o melhor futebol, embora a Croácia e a Bélgica tenham valorizado imensamente um mundial cheio de lances emocionantes e inesquecíveis.

Ontem, assisti à disputa do terceiro lugar ao lado de meu amigo Felipe, de 11 anos, que torcia pela Inglaterra. Ainda inconformado pela derrota do Brasil para os belgas, ele acabou se rendendo ao show de De Bruyne, Hazard & Kompany, capturado, assim como eu fui na sua idade, pelo espetáculo que desconhece a cor da camisa.

Copa do Mundo, afinal, é tão isso, né? Momento de aprender a ganhar e de aprender a perder; de amar seu país, mas trocar de bom grado o patriotismo míope pela paixão universal pela bola e seus artistas; de cultivar o senso de justiça respeitando o jogo, a bola, o adversário. Tempo de assistir ao inimaginável, ao inesperado, ao encantador. E perfeita ocasião para marcar o tempo, o intervalo de quatro anos em que uns crescem, outros envelhecem, e a vida segue nessa roda-gigante.

A final fez jus a tudo isso. De um lado, uma França envolvente e inspirada; de outro, os guerreiros croatas incansáveis na perseguição ao improvável, mas que aos pés de Modric e seus pares podia muito bem ter acontecido. E gol duvidoso, gol contra, gol de VAR, frango, placar elástico… Kicopa!

Agora imaginem como estaremos todos daqui a quatro anos, quando a bola voltar a rolar no mundial. Como estarão cheios de alegria e orgulho Bélgica e Croácia, que saíram consagrados da Rússia? Os próprios russos, que fizeram bonito em casa, contrariando todos os prognósticos? Os novos bicampeões franceses, com sua geração de craques de todas as origens? E os mordidos alemães, brasileiros, argentinos, ingleses, uruguaios? E os italianos e holandeses, que nem feio fizeram porque não deram as caras?

Ah, que saudade do que ainda não aconteceu! Como é bom Copa do Mundo! Mas nada de nostalgia, que quatro anos passam num piscar de olhos. E o Catar tá logo ali, na próxima curva, entre a vastidão do deserto e o infinito mar azul do Golfo Pérsico.

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