Copa literária

Nessa época dominada por memes, há até fake meme em circulação: aquele que “devolve” os 7×1 somando placares errados dos jogos da Alemanha. É uma praga esse tal de meme. É a piada velha repetida à exaustão, como aliás vêm se tornando as anedotas de internet.

Esse nariz de cera todo foi pra falar de um meme do qual finalmente gostei: a tabela das oitavas de final substituindo os países por eminentes representantes de sua literatura. Com os resultados de hoje, Galeano tem encontro marcado com Balzac nas quartas, enquanto Borges e Saramago voltaram pra casa com o rabo entre as pernas.

Muitas emoções nos aguardam amanhã, quando Cervantes e Dostoiévski entrarem em campo às 11h, seguidos às 15h pelo confronto entre Miroslav Krleza e Christian Andersen. Confesso que nunca li o croata do meme, mas não deixa de ser boa oportunidade de acumular novos conhecimentos literários.

De minha parte, enquanto aguardo a ansiada entrada em campo de Machado de Assis e Carlos Fuentes, amargo a tristeza de uma Copa do Mundo sem Messi e Cristiano Ronaldo, dois ótimos motivos para sentar diante da TV e apreciar essa arte que envolve tanta beleza e paixão – e da qual esses dois são hoje as maiores representações, independentemente do escritor homenageado.

Embora a Copa se entristeça sem os dois melhores jogadores do mundo, é importante admitir que em ambas as partidas ganharam os melhores conjuntos. O talento se sobressaiu. Jogos como esses dois primeiros poderiam ser a final de uma Copa do Mundo, mas quiseram os deuses do futebol que ocorressem nas oitavas.

É porque este Mundial está mesmo bom, e torçamos para que o nível se mantenha assim, para bem da bola, de seus apaixonados – e dos literatos que vivem de cantá-la.

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