José Guilherme Vereza

Crônicas publicadas no projeto.

GOSTO DO FUTEBOL DAS MENINAS, TALKEY?

Talkey, sou um alienado. Reservei este domingo para me abstrair de pesos reais, vizinhos potencialmente armados, cortes travestidos de contingenciamentos, sing in the rains, conjes, astrólogos terraplanistas, snipers eleitos, loas a torturadores, filhos que se acham, pai que não acha nada demais, queiorozes ocultos, ódios a opositores, beicinhos contra a mídia, horizontes turvos, novas previdências nubladas, damares em geral. Talkey, sou um infeliz sem partido, que não enxerga a obsessão

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A ÚLTIMA CRÔNICA.

Posso ser exagerado e passional, porém sincero: a maior crônica de todos os tempos, acho eu, chama-se “A última crônica” de Fernando Sabino. Recomendo que a procurem no Google e deleitem-se com a beleza e a sensibilidade do autor em enxergar um imenso tudo num muito pouco, ou no detalhe quase imperceptível. Certo de não chegar nem às travas das chuteiras de Sabino, ouso surrupiar o título (só o título)

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MICK JAGGER E TIO ZEQUINHA.

Mick Jagger é um dos maiores nomes do rock de todos os tempos. Amo. Um ícone da música. Um arrebatador de multidões. Mas o folclore maledicente do futebol não perdoa. É impiedoso e injusto. Assim que o vi comemorando o gol da Inglaterra contra a Croácia no estádio, me lembrei do meu tio bisavô Zequinha. Tanto que reproduzo aqui uma lenda familiar, que até inspirou conto no meu segundo livro

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A COPA DO MUNDO DA TAILÂNDIA.

Hoje tem Bélgica e França. O Brasil ficou de fora. Amanhã tem Croácia e Inglaterra. Os donos da casa ficaram de fora. A Copa da Rússia apresenta a originalidade como sua principal atração. Surgiram novos talentos. Os velhos ficaram de fora. Alguns caíram em desgraça. A Rússia se mostrou um país bonito. Surpreendentemente – ou circunstancialmente – alegre, festivo, de alto astral. Sua História de glórias e sofrimentos não foi

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TRISTEZA DO CÃO.

Cachorros são bichos sensitivos. Absorvem os sentimentos das pessoas que os amam. Passei um fim de semana jururu, quieto no meu cantinho. Achei que a tristeza da eliminação do Brasil na sexta feira fosse passageira. Afinal, sou um sujeito – assim suponho – maduro, equilibrado, com uma certa experiência para entender que a vida é feita de frustrações e realizações, avanços e revezes, conquistas e fiascos, dores e delícias. Mas

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INSTANTES SEGUINTES.

No instante do apito final, a incredulidade. No instante seguinte, a dor. Puxa, estava gostando da seleção. No instante seguinte, o inconformismo pela crueldade dos milímetros que a sorte nos negou. No instante seguinte, o lamento pelas chances desperdiçadas. No instante seguinte, o ímpeto primitivo, o instinto primal de culpar alguém. A começar por eu mesmo, que acho que não vesti a cueca certa. No instante seguinte, as perguntas: se

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COMBINARAM COM OS BELGAS?

A pergunta é atribuída a Garrincha, (russos, no lugar de belgas) na Copa de 58, proferida do alto da sua sábia pureza, durante uma preleção de vestiário, quando foi exposta uma estratégia infalível de vencer a poderosa URSS de Yashin e cia. A título de cultura inútil: há os que defendem que a indagação partiu de um soldado raso das, até então, imbatíveis fileiras napoleônicas, antes do debacle francês no

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BAD ENGLISH AO PÉ DA LETRA.

– Excusa-me, Meg, não está na hora do evento? – O que você está falando sobre, adorável marido? – Pé na bola, adorável esposa. O jogo que nossos ancestrais inventaram… – Oh, sim… E se vulgarizou por sobre todo o mundo. – Diga popularizou, minha querida. Você não leu os papéis de notícias? – Sim. Há rumores que a princesa terá o quarto filho. – Não estou falando sobre isso.

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FIRMINO E OSÓRIO.

Pelas décadas de 30, havia um peão boiadeiro na fazenda do meu avô, nas fronteiras indefinidas entre Minas, Espírito Santo e Bahia, de nome Firmino. Era um caboclo forte, de sorriso reluzente, mas nem sempre estava na linha de frente de levar boiada pra lá e pra cá. Ficava pelos flancos da manada, tocando as reses com berrante ou gritos de ôs, ôs, ôs. Mas quando um boi se desgarrava,

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A COPA DO MUNDO É NOSSA.

Não, não se trata de um rompante ufanista e arrogante, na véspera de um jogo contra o misterioso e traiçoeiro México. Talvez o chili de amanhã nos caia indigesto, talvez não. Talvez teremos na próxima sexta uma intoxicação de chocolate belga, ou sejamos, depois de nadar, nadar e nadar, atropelados por uma barca de sushi na praia. Pode ser que sim, pode ser que não. Um botafoguense legítimo não teria

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Crônicas publicadas no projeto.

GOSTO DO FUTEBOL DAS MENINAS, TALKEY?

Talkey, sou um alienado. Reservei este domingo para me abstrair de pesos reais, vizinhos potencialmente armados, cortes travestidos de contingenciamentos, sing in the rains, conjes, astrólogos terraplanistas, snipers eleitos, loas a torturadores, filhos que se acham, pai que não acha nada demais, queiorozes ocultos, ódios a opositores, beicinhos contra a mídia, horizontes turvos, novas previdências nubladas, damares em geral. Talkey, sou um infeliz sem partido, que não enxerga a obsessão

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A ÚLTIMA CRÔNICA.

Posso ser exagerado e passional, porém sincero: a maior crônica de todos os tempos, acho eu, chama-se “A última crônica” de Fernando Sabino. Recomendo que a procurem no Google e deleitem-se com a beleza e a sensibilidade do autor em enxergar um imenso tudo num muito pouco, ou no detalhe quase imperceptível. Certo de não chegar nem às travas das chuteiras de Sabino, ouso surrupiar o título (só o título)

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MICK JAGGER E TIO ZEQUINHA.

Mick Jagger é um dos maiores nomes do rock de todos os tempos. Amo. Um ícone da música. Um arrebatador de multidões. Mas o folclore maledicente do futebol não perdoa. É impiedoso e injusto. Assim que o vi comemorando o gol da Inglaterra contra a Croácia no estádio, me lembrei do meu tio bisavô Zequinha. Tanto que reproduzo aqui uma lenda familiar, que até inspirou conto no meu segundo livro

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A COPA DO MUNDO DA TAILÂNDIA.

Hoje tem Bélgica e França. O Brasil ficou de fora. Amanhã tem Croácia e Inglaterra. Os donos da casa ficaram de fora. A Copa da Rússia apresenta a originalidade como sua principal atração. Surgiram novos talentos. Os velhos ficaram de fora. Alguns caíram em desgraça. A Rússia se mostrou um país bonito. Surpreendentemente – ou circunstancialmente – alegre, festivo, de alto astral. Sua História de glórias e sofrimentos não foi

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TRISTEZA DO CÃO.

Cachorros são bichos sensitivos. Absorvem os sentimentos das pessoas que os amam. Passei um fim de semana jururu, quieto no meu cantinho. Achei que a tristeza da eliminação do Brasil na sexta feira fosse passageira. Afinal, sou um sujeito – assim suponho – maduro, equilibrado, com uma certa experiência para entender que a vida é feita de frustrações e realizações, avanços e revezes, conquistas e fiascos, dores e delícias. Mas

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INSTANTES SEGUINTES.

No instante do apito final, a incredulidade. No instante seguinte, a dor. Puxa, estava gostando da seleção. No instante seguinte, o inconformismo pela crueldade dos milímetros que a sorte nos negou. No instante seguinte, o lamento pelas chances desperdiçadas. No instante seguinte, o ímpeto primitivo, o instinto primal de culpar alguém. A começar por eu mesmo, que acho que não vesti a cueca certa. No instante seguinte, as perguntas: se

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COMBINARAM COM OS BELGAS?

A pergunta é atribuída a Garrincha, (russos, no lugar de belgas) na Copa de 58, proferida do alto da sua sábia pureza, durante uma preleção de vestiário, quando foi exposta uma estratégia infalível de vencer a poderosa URSS de Yashin e cia. A título de cultura inútil: há os que defendem que a indagação partiu de um soldado raso das, até então, imbatíveis fileiras napoleônicas, antes do debacle francês no

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BAD ENGLISH AO PÉ DA LETRA.

– Excusa-me, Meg, não está na hora do evento? – O que você está falando sobre, adorável marido? – Pé na bola, adorável esposa. O jogo que nossos ancestrais inventaram… – Oh, sim… E se vulgarizou por sobre todo o mundo. – Diga popularizou, minha querida. Você não leu os papéis de notícias? – Sim. Há rumores que a princesa terá o quarto filho. – Não estou falando sobre isso.

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FIRMINO E OSÓRIO.

Pelas décadas de 30, havia um peão boiadeiro na fazenda do meu avô, nas fronteiras indefinidas entre Minas, Espírito Santo e Bahia, de nome Firmino. Era um caboclo forte, de sorriso reluzente, mas nem sempre estava na linha de frente de levar boiada pra lá e pra cá. Ficava pelos flancos da manada, tocando as reses com berrante ou gritos de ôs, ôs, ôs. Mas quando um boi se desgarrava,

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A COPA DO MUNDO É NOSSA.

Não, não se trata de um rompante ufanista e arrogante, na véspera de um jogo contra o misterioso e traiçoeiro México. Talvez o chili de amanhã nos caia indigesto, talvez não. Talvez teremos na próxima sexta uma intoxicação de chocolate belga, ou sejamos, depois de nadar, nadar e nadar, atropelados por uma barca de sushi na praia. Pode ser que sim, pode ser que não. Um botafoguense legítimo não teria

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