Fernanda de Aragão

Crônicas publicadas no projeto.

Essa gente de colete que não gosta de futebol

Todo jogo de Copa do Mundo é assim: tem o campo com sua grama verdinha-nem-sempre e tem aquelas faixas brancas que demarcam o gramado. As mais importantes são as linhas de fundo e as linhas laterais que, olhem só, vejam vocês, elas impõem limites. Depois desse perímetro, a cinco metros do campo, tem os painéis dos patrocinadores, em LED, uma coisa chique de se ver: a FIFA depois da ADIDAS

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Eu juro que grito!

Se for gol, eu grito! Juro que saio à janela e toco minha vuvuzela, balanço a bandeira, esquerda, direita, esta flâmula que vai e vem, vai-vem nesse agito sem fim da Copa do Mundo. Levanto esse meu corpo, sacudo, saúdo. Ergo meu copo e corro a vista adiante, esse meu olhar que atravessa o vazio da parede, eu do outro lado quando estico os braços para fora e me imagino

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Arcada

Estes meus dentes de café estão tímidos nessa Copa. Estão amarelando mesmo. Acovardados, meus dentes sem placa de porcelana, sem carvão turbinado, com um ou outro bicarbonato de sódio de vez em quando. Estes meus dentes de chá preto estão assustados. É tanto dente branco demais, cândido demais, plástico demais que os meus estão acuados, não conseguem fugir da marcação, pressão o campo todo, o noticiário todo, todos os apresentadores,

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A cambalhota de Milad Mohammadi

Eu poderia vir aqui, explicar através da física, da biomecânica, do torque, o que foi aquele lance, mas não, aquele lance foi só o desespero do último minuto, ali, nos acréscimos dado pelo juiz já no finalzinho do segundo tempo, só isso e ponto, não tem física que se mostre suficiente para explicar aquela bola não lançada, aquela bola que ameaçou mais não foi, a bola ali, pedindo uma única

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É melhor vestir a camisa do que vestir Louis Vuitton

Eu tinha uma esperança de que tudo fosse diferente, de que seria goleada, e só pra tirar da minha cabeça aqueles gols, aqueles sete gols, aquela porrada, aquela bordoada bem dada e aliviada pelos alemães que podiam mais, queriam mais, mas que, por educação, deram um breque na vergonha alheia. Eu tinha essa esperança de que nesse Brasil-Suíça a rede balançaria muitas vezes, e de um lado só, do lado

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Nem sempre a defesa é o melhor ataque. É só defesa, mesmo!

Na Copa do Mundo nem sempre a defesa é o melhor ataque, vamos trocar esse discurso feito pra boi dormir. Defesa é defesa e a Islândia sabe muito bem disso, marcação dobrada o jogo todo, todo tempo esse jogo estudado, pensado, esse jogo estratégico, vamos fechar o gol e pronto e é isso mesmo, tem favorito, sim, mas sai pra lá, a gente quer é fazer história, na nossa área

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O shortinho de Cristiano Ronaldo

Puxe seu shortinho, meu bem, que o jogo de hoje foi mais do que sua coxa lisinha, depilada no pelo, sem apelo, com apego. Hoje, meu bem, você passou como lâmina fina pelo gramado, foi a bola cair nos seus pés, esses pés assim afiados, afinados, para você passar ligeiro, vê?… que não te pegam, que nem te pegarão, que quanto mais eles sei lá o quê, mais você desliza

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Para não tomar de sete, chute pra frente!

Agora não adianta bater pé, coçar a barba, nem chorar. Se a defesa estava sem linha, era não deixar a bola correr por ali, perigo iminente, e dar de bico. Chutão mesmo. Pro outro lado, a bola rifada dali para o ataque (no mínimo um lateral cedido no caso de uma espinhada, que sufoco; no máximo um escanteio permitido pelo desespero aguçado). Depois, do meio de campo para área. Em

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Crônicas publicadas no projeto.

Essa gente de colete que não gosta de futebol

Todo jogo de Copa do Mundo é assim: tem o campo com sua grama verdinha-nem-sempre e tem aquelas faixas brancas que demarcam o gramado. As mais importantes são as linhas de fundo e as linhas laterais que, olhem só, vejam vocês, elas impõem limites. Depois desse perímetro, a cinco metros do campo, tem os painéis dos patrocinadores, em LED, uma coisa chique de se ver: a FIFA depois da ADIDAS

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Eu juro que grito!

Se for gol, eu grito! Juro que saio à janela e toco minha vuvuzela, balanço a bandeira, esquerda, direita, esta flâmula que vai e vem, vai-vem nesse agito sem fim da Copa do Mundo. Levanto esse meu corpo, sacudo, saúdo. Ergo meu copo e corro a vista adiante, esse meu olhar que atravessa o vazio da parede, eu do outro lado quando estico os braços para fora e me imagino

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Arcada

Estes meus dentes de café estão tímidos nessa Copa. Estão amarelando mesmo. Acovardados, meus dentes sem placa de porcelana, sem carvão turbinado, com um ou outro bicarbonato de sódio de vez em quando. Estes meus dentes de chá preto estão assustados. É tanto dente branco demais, cândido demais, plástico demais que os meus estão acuados, não conseguem fugir da marcação, pressão o campo todo, o noticiário todo, todos os apresentadores,

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A cambalhota de Milad Mohammadi

Eu poderia vir aqui, explicar através da física, da biomecânica, do torque, o que foi aquele lance, mas não, aquele lance foi só o desespero do último minuto, ali, nos acréscimos dado pelo juiz já no finalzinho do segundo tempo, só isso e ponto, não tem física que se mostre suficiente para explicar aquela bola não lançada, aquela bola que ameaçou mais não foi, a bola ali, pedindo uma única

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É melhor vestir a camisa do que vestir Louis Vuitton

Eu tinha uma esperança de que tudo fosse diferente, de que seria goleada, e só pra tirar da minha cabeça aqueles gols, aqueles sete gols, aquela porrada, aquela bordoada bem dada e aliviada pelos alemães que podiam mais, queriam mais, mas que, por educação, deram um breque na vergonha alheia. Eu tinha essa esperança de que nesse Brasil-Suíça a rede balançaria muitas vezes, e de um lado só, do lado

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Nem sempre a defesa é o melhor ataque. É só defesa, mesmo!

Na Copa do Mundo nem sempre a defesa é o melhor ataque, vamos trocar esse discurso feito pra boi dormir. Defesa é defesa e a Islândia sabe muito bem disso, marcação dobrada o jogo todo, todo tempo esse jogo estudado, pensado, esse jogo estratégico, vamos fechar o gol e pronto e é isso mesmo, tem favorito, sim, mas sai pra lá, a gente quer é fazer história, na nossa área

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O shortinho de Cristiano Ronaldo

Puxe seu shortinho, meu bem, que o jogo de hoje foi mais do que sua coxa lisinha, depilada no pelo, sem apelo, com apego. Hoje, meu bem, você passou como lâmina fina pelo gramado, foi a bola cair nos seus pés, esses pés assim afiados, afinados, para você passar ligeiro, vê?… que não te pegam, que nem te pegarão, que quanto mais eles sei lá o quê, mais você desliza

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Para não tomar de sete, chute pra frente!

Agora não adianta bater pé, coçar a barba, nem chorar. Se a defesa estava sem linha, era não deixar a bola correr por ali, perigo iminente, e dar de bico. Chutão mesmo. Pro outro lado, a bola rifada dali para o ataque (no mínimo um lateral cedido no caso de uma espinhada, que sufoco; no máximo um escanteio permitido pelo desespero aguçado). Depois, do meio de campo para área. Em

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