Clara Arreguy

Crônicas publicadas no projeto.

Era só começo o nosso fim

Pego emprestado de uma linda canção do mineiro Yuri Popoff o título desta crônica para lembrar que nada terminou hoje com o bicampeonato da França. Ao contrário, começa agora a contagem regressiva para Catar 2022, um desafio que já faz arrepiar a espinha de quem ama essa deliciosa arte chamada futebol. Vitória merecida de uma França multirracial e multiétnica, de um mundo globalizado em que não deveria haver mais espaço

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Redondamente enganada

Meu leitorado sabe que pelo menos coerente eu sou. Ontem a maioria dos comentários à minha crônica discordava do meu ponto de vista, pois, ao contrário de mim, as pessoas haviam gostado do jogo entre França e Bélgica. Hoje, para meu gosto, assisti a uma partidaça entre Inglaterra e Croácia, o oposto de tudo que havia acontecido na primeira semifinal. Contrariando também meus receios e prognósticos, os ingleses não fizeram

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Parecia o Corinthians

Um amigo meu viu de dentro do campo e ficou emocionado, achando França x Bélgica um jogaço. Eu, daqui da geral, senti foi tédio. Me vi diante de uma daquelas partidas do Corinthians em 2017, quando o time de Carille ficava quietinho, dando a posse de bola pro adversário, fazia 1 x 0 num escanteio, voltava lá pra trás, e assim saiu campeão. A França tinha mais futebol que isso,

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Futebol derrota pé frio

Ávida de ideias, a cronista respira aliviada quando Vida marca e parece encaminhar a classificação da Croácia. Mas não há trocadilho que segure a garra e a energia dos donos da casa antes do apito final, e o fato de ser Mário – que Mário? o brasileiro! – a converter o tento salvador facilita ainda mais a vida da cronista até então sem inspiração. Porque antes de tudo veio a

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Pra não dizer que não culpei ninguém

Dava pra ganhar? Dava. Dava pra perder? Também dava. Mas pode-se culpar algum fator extracampo, a arbitragem, forças ocultas? Não, não se pode. Perdemos dentro das quatro linhas, durante o tempo regulamentar. O que faltou, de fato, foi futebol para reverter um resultado reversível. Mas não havia um belo futebol a encantar a torcida e sugerir até a possibilidade do hexa? Havia. Antes da Copa. Depois do apito inicial, ninguém

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Teoria da conspiração

O bom de ser autônoma é poder assistir à Copa do Mundo sempre que quero, dona do meu tempo e sem patrão pra mandar em mim. O ruim de ser autônoma é ter que ganhar o pão com o próprio suor, o que me obriga a não ver os jogos sempre que quero, a sair pra ganhar o dia e perder o melhor da festa. Assim foi ontem com o

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Pão pão, queijo queijo

O bom do mata-mata é que cessa o cai-cai, não tem mais aquele agarra-agarra dentro da área, é a hora do pão pão, queijo queijo, e e já já você vê quem veio a passeio e quem veio pra ficar. Dá pra ver que o jogo do Brasil me deixou gaga, quase gagá, tatibitate, pois gritei muito e só não aderi ao oba-oba porque não gosto nada nada disso. Mas

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Da trapalhada ao drama

A disputa por pênaltis é a solução mais cruel para o desempate. Claro que tem hora que é preciso definir critérios, e se dois times seguem iguais no tempo normal e na prorrogação, e só um pode passar, o que fazer? Houve tempo em que se recorreu ao gol de ouro, o velho “quem marcar primeiro ganha”, mas não deu certo, e corria o risco de o negócio se arrastar

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Copa literária

Nessa época dominada por memes, há até fake meme em circulação: aquele que “devolve” os 7×1 somando placares errados dos jogos da Alemanha. É uma praga esse tal de meme. É a piada velha repetida à exaustão, como aliás vêm se tornando as anedotas de internet. Esse nariz de cera todo foi pra falar de um meme do qual finalmente gostei: a tabela das oitavas de final substituindo os países

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Gente mordeu cachorro

Meu leitorado me pede a crônica do jogo do Brasil e eu, ranço de jornalista por 30 anos, preferiria falar da Alemanha, essa sim a notícia do dia. Máxima do jornalismo: cachorro morder um homem não é notícia; ser humano morder cachorro é que é. Hoje gente mordeu cachorro e a Alemanha viveu seu “momento 7×1”. Ok, pessoal, nada vingará “aqueles” 7×1, mas a Argentina perder de três pra Croácia

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Crônicas publicadas no projeto.

Era só começo o nosso fim

Pego emprestado de uma linda canção do mineiro Yuri Popoff o título desta crônica para lembrar que nada terminou hoje com o bicampeonato da França. Ao contrário, começa agora a contagem regressiva para Catar 2022, um desafio que já faz arrepiar a espinha de quem ama essa deliciosa arte chamada futebol. Vitória merecida de uma França multirracial e multiétnica, de um mundo globalizado em que não deveria haver mais espaço

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Redondamente enganada

Meu leitorado sabe que pelo menos coerente eu sou. Ontem a maioria dos comentários à minha crônica discordava do meu ponto de vista, pois, ao contrário de mim, as pessoas haviam gostado do jogo entre França e Bélgica. Hoje, para meu gosto, assisti a uma partidaça entre Inglaterra e Croácia, o oposto de tudo que havia acontecido na primeira semifinal. Contrariando também meus receios e prognósticos, os ingleses não fizeram

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Parecia o Corinthians

Um amigo meu viu de dentro do campo e ficou emocionado, achando França x Bélgica um jogaço. Eu, daqui da geral, senti foi tédio. Me vi diante de uma daquelas partidas do Corinthians em 2017, quando o time de Carille ficava quietinho, dando a posse de bola pro adversário, fazia 1 x 0 num escanteio, voltava lá pra trás, e assim saiu campeão. A França tinha mais futebol que isso,

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Futebol derrota pé frio

Ávida de ideias, a cronista respira aliviada quando Vida marca e parece encaminhar a classificação da Croácia. Mas não há trocadilho que segure a garra e a energia dos donos da casa antes do apito final, e o fato de ser Mário – que Mário? o brasileiro! – a converter o tento salvador facilita ainda mais a vida da cronista até então sem inspiração. Porque antes de tudo veio a

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Pra não dizer que não culpei ninguém

Dava pra ganhar? Dava. Dava pra perder? Também dava. Mas pode-se culpar algum fator extracampo, a arbitragem, forças ocultas? Não, não se pode. Perdemos dentro das quatro linhas, durante o tempo regulamentar. O que faltou, de fato, foi futebol para reverter um resultado reversível. Mas não havia um belo futebol a encantar a torcida e sugerir até a possibilidade do hexa? Havia. Antes da Copa. Depois do apito inicial, ninguém

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Teoria da conspiração

O bom de ser autônoma é poder assistir à Copa do Mundo sempre que quero, dona do meu tempo e sem patrão pra mandar em mim. O ruim de ser autônoma é ter que ganhar o pão com o próprio suor, o que me obriga a não ver os jogos sempre que quero, a sair pra ganhar o dia e perder o melhor da festa. Assim foi ontem com o

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Pão pão, queijo queijo

O bom do mata-mata é que cessa o cai-cai, não tem mais aquele agarra-agarra dentro da área, é a hora do pão pão, queijo queijo, e e já já você vê quem veio a passeio e quem veio pra ficar. Dá pra ver que o jogo do Brasil me deixou gaga, quase gagá, tatibitate, pois gritei muito e só não aderi ao oba-oba porque não gosto nada nada disso. Mas

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Da trapalhada ao drama

A disputa por pênaltis é a solução mais cruel para o desempate. Claro que tem hora que é preciso definir critérios, e se dois times seguem iguais no tempo normal e na prorrogação, e só um pode passar, o que fazer? Houve tempo em que se recorreu ao gol de ouro, o velho “quem marcar primeiro ganha”, mas não deu certo, e corria o risco de o negócio se arrastar

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Copa literária

Nessa época dominada por memes, há até fake meme em circulação: aquele que “devolve” os 7×1 somando placares errados dos jogos da Alemanha. É uma praga esse tal de meme. É a piada velha repetida à exaustão, como aliás vêm se tornando as anedotas de internet. Esse nariz de cera todo foi pra falar de um meme do qual finalmente gostei: a tabela das oitavas de final substituindo os países

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Gente mordeu cachorro

Meu leitorado me pede a crônica do jogo do Brasil e eu, ranço de jornalista por 30 anos, preferiria falar da Alemanha, essa sim a notícia do dia. Máxima do jornalismo: cachorro morder um homem não é notícia; ser humano morder cachorro é que é. Hoje gente mordeu cachorro e a Alemanha viveu seu “momento 7×1”. Ok, pessoal, nada vingará “aqueles” 7×1, mas a Argentina perder de três pra Croácia

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