Cezar Fittipaldi

Crônicas publicadas no projeto.

O radinho

O radinho Gervásio não se considera supersticioso. Passa por debaixo de escadas, não se preocupa com gatos pretos cruzando à sua frente, sextas feiras treze ele tira de letra. Mas, como não poderia deixar de ser, Gervásio tem uma pequena, minúscula, superstiçãozinha: desde a final da Copa de 1994, em que estava de serviço como segurança de um depósito de gás na periferia de Guarulhos, ele escuta o final da

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A peneira

Anoitecia e ele ainda não havia comido nada desde o frugal café da manhã, pão amanhecido e café preto. Para economizar havia cruzado a imensa cidade a pé, cansando-se bastante, mas não a ponto de desanimá-lo. Sabia que as coisas não lhe seriam oferecidas de bandeja desde que se entendia por gente, desde que seu pai os havia abandonado, sua mãe e seus outros cinco irmãos menores, havia cerca de

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A bola veio alta

A bola veio alta, e o brilho dos holofotes lhe dificultava a visão. Seria sua última chance, talvez não apenas no jogo, mas sim no clube. Já avistara Deraldo, seu substituto, aquecendo-se ao lado do banco de reservas. Não marcava há seis partidas, o que para um centroavante era muito tempo. Estava pensando em encerrar sua carreira de altos e baixos, pontuada por algumas contusões, mas ainda não se sentia

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Uma figurinha

Corria célere o ano de 1970, eu, dez anos de idade, calça curta, assim como os meninos de todo o Brasil, estava motivado pela possibilidade do Tri, que nos escapara quatro anos antes na Copa da Inglaterra. Não que eu soubesse disso na época, pois a lembrança mais remota que tenho, no que se refere a Copa do Mundo foi a do México em 1970 mesmo, a Olé 70! As

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Crônicas publicadas no projeto.

O radinho

O radinho Gervásio não se considera supersticioso. Passa por debaixo de escadas, não se preocupa com gatos pretos cruzando à sua frente, sextas feiras treze ele tira de letra. Mas, como não poderia deixar de ser, Gervásio tem uma pequena, minúscula, superstiçãozinha: desde a final da Copa de 1994, em que estava de serviço como segurança de um depósito de gás na periferia de Guarulhos, ele escuta o final da

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A peneira

Anoitecia e ele ainda não havia comido nada desde o frugal café da manhã, pão amanhecido e café preto. Para economizar havia cruzado a imensa cidade a pé, cansando-se bastante, mas não a ponto de desanimá-lo. Sabia que as coisas não lhe seriam oferecidas de bandeja desde que se entendia por gente, desde que seu pai os havia abandonado, sua mãe e seus outros cinco irmãos menores, havia cerca de

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A bola veio alta

A bola veio alta, e o brilho dos holofotes lhe dificultava a visão. Seria sua última chance, talvez não apenas no jogo, mas sim no clube. Já avistara Deraldo, seu substituto, aquecendo-se ao lado do banco de reservas. Não marcava há seis partidas, o que para um centroavante era muito tempo. Estava pensando em encerrar sua carreira de altos e baixos, pontuada por algumas contusões, mas ainda não se sentia

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Uma figurinha

Corria célere o ano de 1970, eu, dez anos de idade, calça curta, assim como os meninos de todo o Brasil, estava motivado pela possibilidade do Tri, que nos escapara quatro anos antes na Copa da Inglaterra. Não que eu soubesse disso na época, pois a lembrança mais remota que tenho, no que se refere a Copa do Mundo foi a do México em 1970 mesmo, a Olé 70! As

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