No que você é craque?

Tem gente que é craque em desenho. Há quem bata um bolão em matemática. Outros, marcam um golaço em música.
Às vezes a vocação aparece cedo. Em alguns casos, precisa ser explorada, lapidada, cavada bem lá no fundo.
Um dia desses, assistindo a uma reportagem sobre o perfil dos jogadores da seleção, descobri que o Neymar, com 4 anos de idade, colecionava 54 bolas de futebol. Mas que chatice devia ser para os amigos que, gostando ou não do Juninho, tinham que aceitá-lo sempre nas peladas porque a bola, ou melhor as bolas, TODAS AS BOLAS DO MUNDO eram dele. Por outro lado, tal fixação com o brinquedo já deixava claro que, nem que aquele tio insistisse muito, o moleque não seria advogado.
Já o Gabriel Jesus era craque em grafite no bairro do Peri, em São Paulo. Talentoso com as mãos e os pés, logo soube que sua verdadeira vocação era nos campos, muito mais do que nas ruas.
Mas quem mais me impressionou foi o lateral esquerdo Filipe Luís, um apaixonado por astrofísica que acabou sendo convencido pelo pai a ser jogador de futebol. Não consigo parar de imaginar o guri, trancado no quarto, com um livro de física na mão, e o pai dando um chilique.
– Para de estudar e vai jogar bola, moleque! Eu não criei filho para acabar na NASA!
Eu já quis ser bailarina, atriz, professora de história, socióloga, enfermeira, escritora, roteirista, publicitária e até sair pelada na capa da Playboy (me julguem).
Mas, nessa copa, a minha vocação será torcer e muito pelo Brasil. Porque somos um povo sofrido por vocação e tradição e merecemos, sim, correr para o abraço e ver o Vampeta bêbado descendo, de cambalhotas, a rampa do Planalto de vez em quando.

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