A Copa mexe com a gente

Não adianta pintar a rua com as cores da Argentina, desligar a TV, xingar o Neymar ou marcar um retiro espiritual no dia do jogo do Brasil: é quase impossível passar indiferente à Copa.

Já me vi acordando de madrugada para ver os jogos da Seleção no Mundial do Japão e Coreia, quase perdendo um emprego porque o chefe não queria dispensar a galera no Mundial de 2014 e pagando um micão na academia, na última segunda-feira, por me empolgar excessivamente com um gol da Tunísia.

Agora, enquanto vibro sozinha em casa com a vitória do Senegal, é impossível não me lembrar do meu ex-porteiro Gilberto, na última Copa.

Desde que eu e minha irmã passamos a utilizar um delivery de cervejas, Gilberto se mostrou interessado. Vez por outra, após os jogos, nos presenteava com rapaduras e a polpa congelada de um suco que jurava ser perfeito para driblar ressacas.

Conforme o Brasil avançava na Copa, Gilberto ficava preocupado. Ele acreditava piamente que o Brasil levaria o Hexa. O problema é que a final cairia justamente no domingo em que estaria de plantão na portaria. Foi então que um dia, discretamente, ele nos abordou para pedir uma gentileza. Será que não daria para nós passarmos o endereço daquele lugar que entregava cerveja? É claro que jamais nos negaríamos a esse tipo de favor. Ninguém nesse mundão merece assistir a uma final com o Brasil jogando em casa sem degustar pelo menos uma cervejinha.

Não me lembro se era ele quem estava de plantão no dia do 7 x 1, mas espero sinceramente que não. Seriam necessárias várias viagens do motoboy para afogar as mágoas depois de tamanha desilusão.

Gilberto não é mais nosso porteiro, mas torço, de coração, para que o Brasil conquiste a taça este ano e ele possa assistir à partida cercado pela família e pelos amigos, com uma latinha bem gelada na mão.

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